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Linhas de cuidados: o que são, sua importância e 5 passos para implementá-las

29 de Outubro de 2020

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Padronizar o atendimento e explicitar as ações sobre o gerenciamento da jornada do paciente é essencial para que as instituições de saúde definam seus pontos de atenção no cuidado ao usuário. Nesse sentido, determinar as Linhas de Cuidado é uma forma de criar e atender parâmetros da Atenção Primária à Saúde, coordenando fluxos e organizando o continuum assistencial das organizações.  

As linhas de cuidado orientam o serviço de saúde sobre as necessidades do paciente, colaboram no planejamento terapêutico e estabelecem um percurso ideal a ser seguido, atendendo o usuário conforme cada momento do seu tratamento. Nesse texto vamos falar o que são linhas de cuidado, sua importância e como é seu processo de implementação. Continue a leitura! 

O que é uma linha de cuidado? 

As linhas de cuidado são padronizações técnicas que deixam claras as informações sobre as ações de promoção à saúde feitas em uma organização hospitalar. A determinação das linhas de cuidado envolve a descrição de rotinas da jornada do paciente, com ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação desenvolvidas pela equipe assistencial. Além disso, um dos pontos importantes da definição das linhas de cuidado é a comunicação entre as equipes, serviços e usuários. 

Segundo o Ministério da Saúde, “As Linhas de Cuidado foram desenvolvidas sob a perspectiva do cenário de saúde pública brasileira, sua implantação deve ter a Atenção Primária em Saúde como gestora dos fluxos assistenciais, sendo responsável pela coordenação do cuidado e ordenamento das Redes de Atenção à Saúde” destaca. 

Baseado nisso, as linhas de cuidado têm como objetivo orientar o serviço de saúde para centrar o cuidado no paciente e suas necessidades; explicitar e demonstrar fluxos assistenciais com planejamentos terapêuticos eficientes e seguros; e estabelecer uma jornada assistencial para que o paciente receba atenção necessária de acordo com estágio do seu problema.  

No entanto, alguns problemas dentro da instituição podem inviabilizar a atuação dessas linhas de cuidado, como:  

  • A segmentação do atendimento, determinando uma cobertura limitada do plano hospitalar;  
  • Deficiência dos serviços, com insuficiência do apoio em questões que são essenciais para o cuidado ao paciente, como exames não feitos, carências, etc; 
  • Falta de informações sobre o quadro do paciente por parte da equipe assistencial;  
  • Falta de insumos e a qualidade questionável da assistência prestada.  

Cada organização determina sua linha de cuidado, estabelecendo parâmetros e pontos de atenção que estruturam um atendimento eficiente do início ao fim da passagem do paciente pela instituição. A determinação de quais linhas um hospital privado irá implementar também é uma decisão estratégica, que passa pela expertise do time assistencial. No entanto, para instituições públicas e que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde possui algumas linhas de cuidado definidas. São elas: 

Por que evoluir de protocolos gerenciados a linhas de cuidado? 

Os protocolos gerenciados  servem como um guia para a equipe multidisciplinar, uniformizando as condutas médicas das instituições e instruindo a equipe com diretrizes e orientações sobre o cuidado com o paciente. Esses protocolos estabelecem os medicamentos, materiais e exames recomendados conforme cada patologia. É muito comum que hospitais definam esses protocolos para oferecer o melhor atendimento.  

No entanto, definir protocolos gerenciados não é o suficiente para garantir a melhor experiência e principalmente, segurança ao longo de todo o percurso assistencial do paciente. As linhas de cuidado buscam normalizar e integralizar o processo de organização da atenção em rede, cobrindo todas as ações que englobam esse cuidado, ordenando a jornada do paciente e estabelecendo os fluxos e pontos de atenção nessa rede. É, portanto, um pouco mais ampla que um protocolo clínico gerenciado.  

Para evoluir na definição das linhas de cuidado é preciso contar com um gerenciamento de protocolos clínicos. As linhas são embasadas nessa estruturação, buscando a integração dos níveis de prevenção e de atenção. Assim, os protocolos se tornam úteis, pois se o trabalho desenvolvido em um sistema de saúde está inclinado a melhorar o gerenciamento de certos fluxos, parece correto adotar os mecanismos mais certeiros para isso.

Confira abaixo um modelo de referência para uma linha de cuidado de Nefrologia, onde foram estabelecidas diretrizes clínicas para o cuidado ao paciente com doença renal crônica. Nesse caso, a necessidade de hemodiálise em rotina de 1 ano.

É possível notar a complexidade de uma Linha de Cuidado, podendo ser impactada por diversos fatores internos e externos à organização. É primordial que a instituição tenha em mãos as ferramentas necessárias para garantir a adesão do paciente a Linha de Cuidado.

Linhas de cuidado

Como implementar uma linha de cuidado em 5 passos  

 
Para implementar uma linha de cuidado nas instituições de saúde, a gestão deve estar focada em estabelecer as melhores práticas clínicas e de saúde coletiva, bem como traçar estratégias de organização dos serviços da rede de atenção à saúde, qualificando o cuidado fazendo uma integração sistêmica para gerar eficácia nas ações determinadas.  

Para isso, o gestor precisa considerar: 

  • 1) Mapear os serviços de saúde e envolver nesse trabalho todos aqueles que fazem parte dos processos, propondo uma discussão coletiva; 
  • 2) Definir as linhas que serão estabelecidas. Os hospitais possuem diversos fluxos de cuidado, por isso, estabelecer um foco é essencial. O critério de escolha deve se pautar por questões como problemas de saúde na população local, carência de cuidados, dificuldade de acesso, entre outros pontos. 
  • 3) Produza os pactos com todos os envolvidos em cada ponto do processo. Trabalhar de forma coletiva e multidisciplinar é indispensável para estabelecer linhas de cuidado de maneira eficiente. Um trabalho conjunto garante o compromisso de cada um. Além disso, é essencial colocar o usuário no centro desses processos, fazendo com que esse time proporcione ações que irão garantir a segurança e experiência do paciente
  • 4) É preciso mapear as possibilidades de acesso aos serviços, garantindo que o sistema cubra as necessidades do usuário, sem burocracias. Estabelecer uma relação de confiança e trabalho em rede são fundamentais na criação de Linhas de Cuidado. 
  • 5) Depois, fazer uma análise contínua sobre cada etapa e seu seguimento é indispensável. Controlar indicadores e fluxos é uma maneira de entender se as linhas de cuidado estão gerando o resultado esperado e sendo seguidas para garantir o melhor atendimento ao paciente. 

 
Segundo o Ministério da Saúde, o gestor precisa estar atento a cinco pontos: 

Condição Definir a linha e qual a patologia  
Necessidades Definir a complexidade do tratamento e quais os profissionais que farão parte disso. 
Organização  Estruturar uma rede pensada nas necessidades regionais, contar com parceiros e analisar capacidades.  
Adoção  Determinar funções, população abrangente e disponibilidade de serviço.  
Incorporação  Implementar e controlar indicadores.  

Webinar: Linhas de cuidado  

Quer saber na prática como implementar uma Linha de Cuidado? Já falamos sobre esse tema em uma live com os especialistas Heleno Costa Junior, Mariana Okada, Carolina Amorim e Daniel Teixeira. Assista ao vídeo completo!  

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